Em evento realizado ontem, 9 de março, os resultados da pesquisa “Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho no Itamaraty” foram apresentados pela professora Ana Magnólia Mendes, doutora em Psicodinâmica do Trabalho e coordenadora do Laboratório de Psicodinâmica e Clínica do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB), para servidores do MRE e convidados, tais como, representantes do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e da Administração do Ministério, além de representantes de parlamentares e das associações de servidores.

Os principais riscos diagnosticados, aos quais estão submetidos todos os servidores, são: a indefinição de cargos e tarefas entre AC, OC, PCC/PGPE; a pessoalidade na gestão de pessoas e regras; o estilo gerencialista (altamente hierárquico); a distância entre chefia e subordinados; a cisão entre as carreiras; a (des) organização do trabalho como campo fértil para o assédio moral e a falta de perspectiva de crescimento na organização.

Para a Direção do SINDITAMARATY, a pesquisa possibilita avaliar as condições de trabalho e situações de adoecimento dos servidores da instituição. “Esse resultado é um instrumento técnico e científico que permite melhor orientar as ações do sindicato, especialmente quanto aos principais riscos diagnosticados pelo estudo​,​ que impactam os servidores de todas as carreiras do Itamaraty. Este estudo demonstra com muita precisão ​que todas as carreiras precisam se unir na busca de construir coletivamente soluções que nos permitam minimizar os riscos”, afirma a presidente Suellen Paz.

O estudo apresentou, ainda, recomendações gerais ​preliminares dentre as quais destacamos​:​ a redefinição das atribuições das carreiras, a integração de todos os servidores nas discussões dos destinos da instituição e a criação de estratégias para prevenir e combater os atos negativos e o assédio moral. Sobre esta última, este Sindicato entende que as estratégias devem necessariamente englobar dois aspectos: o educativo e o punitivo.

Conforme constatado pela pesquisa, o assédio moral é algo presente no Itamaraty e, assim, a sua erradicação depende não só de políticas internas que visem o combate dos atos negativos, mas também da ​efetiva responsabilização do assediador sempre que provada culpa em procedimento disciplinar​, isto é, há necessidade de se garantir que a prática ​ do assédio terá consequências. Em um órgão no qual as relações são marcadas por um forte traço de pessoalidade,​ conforme demonstrado no estudo,​ seria desejável que a função de apuração fosse realizada por autoridades externas, a exemplo da C​ontroladoria Geral da União, para que as atividades disciplinares fossem conduzidas com a necessária técnica​ e imparcialidade​ de modo a evitar, por exemplo, a ocorrência de prescrição.​

Apresentação do Resultado

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