Por Cesar Arévalo, oficial de chancelaria desde 1978

Falar de segurança nos Postos não é uma tarefa das mais fáceis. As decisões sobre o assunto requerem avaliações bem acuradas da dimensão do serviço a ser contratado, levando-se em conta a situação política e de segurança do país; condições orçamentárias para atender a contratação; idoneidade da empresa a ser contratada; número de indivíduos envolvidos; qualificações, condições de acomodação do pessoal; armas, alimentação, entre outros.

Certos países, recém-saídos de guerras, revoluções e outros conflitos envolvendo homens armados, necessitam, ao final desses embates, empregar uma massa de indivíduos oriundos de exércitos ou grupos guerrilheiros desfeitos, indivíduos esses que, mantendo em seu poder os armamentos utilizados durante tais conflitos, apelam para a sua única opção de emprego, ou seja, de "segurança". Os indivíduos que se apoderam de um número maior de armamento, transformam-se em proprietários de empresas de segurança, normalmente os que possuíam patentes de Major ou Coronel.

A necessidade de empregar tanta gente e a enorme concorrência entre tais empresas, tornam o custo contratual relativamente barato. Mas a contrapartida é que todos, na verdade, procuram um abrigo, um canto seguro, onde possam passar semanas ou meses, até que consigam visitar seus familiares em confins interioranos. Enquanto isso, qual seria, de fato, o custo dessas operações, considerando despesas a partir de um copo d’água, passando pela lavagem de roupas, etc., até o ar-condicionado, ou mesmo um ventilador, ligado dia-e-noite, em países de muito calor?

Na esteira desse contexto e a título de exemplo, cito dois países onde pude bem observar tais ocorrências: o Paquistão (são, no mínimo, 10 homens/dia fazendo a segurança da Chancelaria e muitos outros mais na Residência, todos amontoados na porta de entrada, exceto um cujo posto é no alto do telhado do prédio) e El Salvador, podendo se estender por praticamente toda a América Central, alguns países da América do Sul e África, Europa Oriental, Ásia, incluindo a Rússia, Suriname, Guiana e Venezuela, todos possuindo algum ponto em comum em tais incoerências.         

Mas, a maior preocupação, no momento da contratação, deve ou, pelo menos, deveria ser voltada ao tipo de gente que se está contratando: velhos combatentes ou mercenários, aposentados, falidos ou derrotados, matadores profissionais ou neuróticos de guerra? Vale destacar que muitos desses indivíduos são desviados de suas funções, para exercerem atividades de motorista, Agente de Portaria e de atendimento ao público, limpeza e/ou serviços gerais, de Agente de Vigilância, etc. Essa gente vive os seus pós-conflitos à mercê e/ou subjugo, ou mesmo escravizados pelos supramencionados ex Majores e Coronéis, que os mantém sob o regime da "extorsão", às vezes nem pagando seus miseráveis salários.

Seria essa gente merecedora de total confiança e liberdade para transitar pelas áreas da Chancelaria ou da Residência? Ou mesmo para conduzir o Embaixador a um local determinado? O que dizer, então, do exercício da função de recepcionista? Telefonista?

Por que não lotar adequadamente os Postos no exterior, com os competentes profissionais mantidos pelo MRE, para, pelo menos, chefiar os setores pertinentes e, no caso específico da segurança do Posto, transmitir e fazer cumprir os procedimentos de segurança, nos moldes aplicados em Brasília.

Geraldo, um respeitável profissional dessa área, me disse certa vez que o nó do problema residia na deficiência da língua inglesa, por parte dos funcionários dessas funções. Mas – respondi-lhe –, o que dizer dos 9, entre os 10 paquistaneses da segurança, que só falam "Urdu" ?  

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